O Tempo de Cada Um

Sabe quando você adquire um livro muito bem indicado, sobre um assunto que te interessa e... Você não consegue passar da introdução? Você até insiste um pouco, mas não vai adiante? E o livro fica lá, na estante, meio escondido, pois sua visão suscita um sentimento algo acusativo, evoca uma sensação de incapacidade ou perda de tempo e dinheiro? O tempo passa e um belo dia você retoma o livro e não consegue largar até chegar ao fim?

Bem, foi exatamente isso que me aconteceu nessa semana. Há mais de dois anos tinha o livro Anatomia Emocional do Stanley Keleman na minha prateleira e somente agora, comentando sobre ele com uma amiga, voltei a folheá-lo. E que grata surpresa, como a minha compreensão do texto mudou, foi como se durante o lapso de tempo em que a obra aguardava leitura eu desenvolvesse o necessário para finalmente entendê-la; parece que na leitura há também um tempo de amadurecimento que deve ser respeitado. E não é a primeira vez que isso me acontece, porém, agora, percebi o processo.

Claro, existem aqueles livros cujo conteúdo não te agrada e você sabe que nunca agradará, entretanto, para a maioria dos casos, vale a pena dar uma segunda ou terceira chance, de tempos em tempos. A obra não muda, mas provavelmente teremos mudado em alguma coisa.

E o que, na verdade, não segue o mesmo critério de amadurecimento? Um curso, uma atividade, uma nova profissão? Alguns responderiam “já não tenho mais tempo ou idade para isso”. Será? Voltei a estagiar como veterinária aos 43 anos, após muitos anos afastada da profissão, recomeçando numa área inédita para mim. Voltei ao computador para escrever e publicar minhas histórias depois de mais de uma década de inatividade, só para ficar nesses exemplos conhecidos daqueles que me acompanham. Confesso que não foi sem um certo grau de insegurança, a princípio, porém, definitivamente, estava pronta para o desafio. Por isso, defendo que, cedo ou tarde, após um pequeno ou longo tempo de espera, vale retornar a antigos projetos, ou criar novos, pois não existe “atraso”, apenas existe o tempo de cada um.



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