Natal

Ontem montei minha árvore de natal. Uma pequena, este ano, já que, nestes tempos de homeoffice, os três quartos e a sala do meu apartamento se tornaram também escritórios - somos quatro demandando espaços de trabalho - e o lugar disponível para os enfeites ficou menor.

A necessidade, entretanto, trouxe uma experiência diferente, pois adquiri um pequeno pinheiro natural para substituir, em 2020, o grande e artificial que tem enfeitado a data festiva há dezessete anos. Essa árvore de Natal antiga, que guardo ano após ano com carinho, faz parte de uma memória afetiva, quando lembro como meus filhos, hoje adultos, se encantavam desde o dia da montagem até o mágico momento em que presentes muito aguardados ou de surpresa, se materializavam embaixo dele. A montagem da árvore de Natal, além da diversão e alegria que me dá, traz em si, igualmente, um certo componente de nostalgia.

Talvez seja por isso que muitas pessoas consideram a data triste. Triste por não ter uma lembrança boa em relação a ela, triste porque muitos dos que já compartilharam o Natal conosco já não estão entre nós, triste porque, enquanto dispomos de uma mesa farta e pessoas queridas ao nosso redor, muitos não os têm.

Existe, claro, o valor religioso para aqueles que são cristãos, mas não quero abordar esse valor aqui, muitas pessoas de outras crenças e até os que nada creem festejam a data. Papai Noel, enfim, superou barreiras que muitos homens ainda não conseguiram, unindo mais do que apartando corações.

Há os que criticam a comemoração como “comercial”, “consumista”, e eles têm um ponto, não discuto, mas, defendendo os presentes, ao querer agradar uma pessoa querida com um bem de consumo, se for motivado pelo carinho e se for uma tentativa sincera de fazê-la sorrir e sentir satisfação, por que não? Se o Natal estimula em muitos de nós o desejo de estar junto, de querer que o outro também esteja bem, se exercita em nós a solidariedade - em nenhuma outra época do ano estamos tão predispostos a doar, tanto nosso tempo quanto nosso dinheiro – talvez os valores morais desta data comercial ultrapassem os valores materiais.

Atraídos como mariposas pelas luzes do Natal, muitos de nós iluminamos nossas casas, abraçamos o lúdico, nos permitindo voltar a ser criança - até hoje os bichinhos de pelúcia em trajes típicos da época são os meus prediletos, preciso admitir -, manifestamos, sobretudo, a vontade de celebrar. Celebrar o quê? Cada um elege o que quer, a vida, a alegria, a família, os amigos, celebrar a esperança de dias melhores, celebrar também um sentimento espiritual de união e amor desprendido.

Talvez a festa de Natal fale mais de nossas aspirações e demandas do que nós percebemos. Talvez o que buscamos é exatamente o belo e o bom para todos. Talvez estejamos apenas exercitando, ainda que brevemente, num curto espaço de tempo, a humanidade que no fundo desejamos.






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