Minimalismo

Minimalismo. Comprovei que, como geralmente acontece, é mais fácil falar do que fazer, porém, afinal, tive um sucesso satisfatório, o suficiente para testar na prática a vantagem da teoria.

O minimalismo é um conceito que defende que precisamos de menos do que pensamos. Menos objetos, produtos de consumo, como também menos tópicos a exigir nossa atenção, para que tenhamos tempo e energia para nos dedicar ao que realmente nos interessa e importa.

Comigo, a ideia minimalista começou a se insinuar antes mesmo de eu conhecer o conceito formal; surgia, tímida, pela demanda por mais espaço, mais tempo, mais foco e rendimento nas tarefas que me propunha fazer. Quando, recentemente, assisti um vídeo sobre o tema, reconheci que era disso mesmo que eu precisava e me dispus a colocar em prática. O momento era propício, estava em vias de mudar de casa, com as oportunidades que esses momentos trazem, de deixar ir o que não se quer mais e ignorar a advertência mãe de toda a acumulação “isso eu posso precisar um dia”. Substituir ou consertar o que já não está funcionando, abrir espaço para a reorganização do velho e para acomodar o novo.

Aprendi, também, que o processo vai muito além das coisas, inclui as ações, o que se quer fazer, o que tem significado, o que se precisa ou não fazer. Ou seja, estabelecer prioridades de importância e necessidade. Por ser mais abstrata, essa parte é mais desafiadora, abrir mão do que sem dúvida gosto, para permitir executar o que quero nesse momento; abrir mão da ilusão de que posso dar conta de tudo, me fragmentando em várias, me tornando insuficiente para meu objetivo. É preciso, de quando em quando, fazer uma poda, pelo menos temporária, nos interesses e atividades, para que os galhos principais - que elegemos prioritários - cresçam fortes.

Minimalismo é um conceito que se instala devagar, é como um software pesado, um aplicativo que demora para baixar. E como qualquer aplicativo, pode ser desinstalado rapidamente, quando quiser. Porém, não acredito que eu vá querer. As vantagens são inúmeras e inegáveis, leveza, organização, economia, prazer, performance, e sobretudo, mais espaço, no ambiente externo e interno, no lugar em que habito e na mente. Penso, mesmo, que vou querer as atualizações, melhorar o processo, pois é disso que se trata, um processo longo e contínuo, de autodescobrimento e de escolhas, de desapego e esforço, pois é trabalhoso, mas profundamente recompensador.