Eleitor tempo integral

Hoje, 15 de novembro, enquanto aguardava minha vez em frente à seção para votar nas eleições municipais, pensava no significado do que estava fazendo. E no valor que representava. Agora, sentada em frente ao computador, antes de iniciar essas linhas, pesquisei os números da democracia no mundo. E me surpreendi, negativamente. De acordo com o Índice de Democracia(1) compilado pela revista inglesa The Economist, em 2019, mais de 50 países constam na lista de regimes autoritários. É, preciso valorizar o meu direito de escolha. Muitos não o têm. E também o meu dever como eleitor, a minha responsabilidade, responsabilidade esta que exige esforço para ser eleitor em tempo integral e não apenas a cada eleição.

Já em 2018, ao ver uma pesquisa feita pelo instituto Idea Big Data, mostrando que 79% dos brasileiros não lembravam em quem haviam votado para deputado estadual e federal, e em quem, eventualmente, haviam elegido como parlamentares, eu já tinha decidido acompanhar o desempenho do meu candidato à Câmara Estadual. Confesso, que o entusiasmo inicial arrefeceu um pouco, mas sigo lembrando seu nome e atenta à sua trajetória. Como tudo na vida, criar um novo hábito é um processo, e sigo nele, buscando ampliá-lo.

Agora, com a convicção reforçada, se eleitos, vou acompanhar com mais afinco ainda meus candidatos aos cargos do Município. Apresentou projetos? Defendeu as áreas que prometeu? Cumpriu suas promessas? Se não os elegi, igualmente, ficarei atenta, pois como representantes públicos, esforço, trabalho, ética e bom senso sãos esperados de todos. E os canais de comunicação e as redes sociais se prestam maravilhosamente para essa aproximação eleitor/candidato, não tem desculpa para não se inteirar, não se manifestar, cobrando ou elogiando. Acredito que essa é a atitude a ser incentivada para melhorar nossa cultura política. O papel do eleitor continua ativo após o pleito, devemos, então, cumpri-lo.

É “nosso” país, são “nossas” riquezas e são “nossos” problemas. Portanto, motivações para ser atuante não faltam e nem devem faltar a ninguém. Sinceramente, não quero mais ser eleitora de um dia. Quero ser, cada vez mais e melhor, uma eleitora em tempo integral.

1.https://www.economist.com/graphic-detail/2020/01/22/global-democracy-has-another-bad-year


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