A longa jornada do autoconhecimento

Demorei muito para entender a necessidade do autoconhecimento. Com tanta coisa acontecendo lá fora, para que ficar focando aqui dentro? Não era propriamente falta de coragem, era ignorância mesmo, me faltavam elementos que justificassem o esforço em algo tão impalpável. Reunir esses elementos foi parte de um processo que começou por uma insatisfação indefinida, afinal tudo ia relativamente bem na vida, então, o que me faltava? Responder essa questão começou por um olhar honesto de mim mesma, sem recriminações, mas com o reconhecimento das minhas fragilidades e equívocos. Especialmente, admitir que determino tudo o que tenho e sou, nada de delegar responsabilidade ao outro, nada de vitimização.

O bacana é que essa perspectiva dá autonomia, afinal, trata-se apenas de escolhas, com as consequências inerentes. O Yoga foi uma ferramenta importante no conhecimento de mim mesma, e para além da prática como aluna, quando fiz o curso de formação em Yoga, o treino em auto observação fez um up grade. E avancei mais ainda, pois me apresentaram os conceitos de permanente e impermanente. Explico, separar aquilo que é transitório em nossa vida (praticamente tudo o que achamos que existe) para identificar o que permanece, aquilo que de verdade somos, aquilo que é eterno. Não estou nem perto de ser uma expert nesse mister, estou exercitando, mas já me trouxe uma capacidade de dar um peso mais adequado às coisas da vida. Separando em duas colunas, um e outro, de forma prática, na coluna do eterno não ficam muitos tópicos, basicamente os sentimentos, as virtudes e os indivíduos, a quem dedicamos os sentimentos. E é essa coluna que percebo importar. A coluna do transitório? Bem, apesar de numerosa , muitas vezes excitante, outras dolorosa, tem o valor das coisas temporárias, como um dia de chuva e um dia de sol, vão passar brevemente e serão substituídos por novos dias.

Muito tenho a percorrer nessa jornada de auto descoberta, mas posso garantir que o que já conquistei me ajuda a encarar com menos medo os desafios, pois eles já não são tão grandes, nem tão pesados, posto que são passageiros, e a calma alcançada na superfície, qual lago espelhado, me permite investigar melhor as profundezas, cada vez mais facilitando o meu autoconhecimento.

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