A Revolução do Altruísmo

Será possível o altruísmo ser cultivado e propagado de uma pessoa para outra, um tipo de “contaminação” do bem? Sim, é o que estão concluindo inúmeros cientistas que se debruçam sobre o cérebro e o comportamento humano.

O livro A Revolução do Altruísmo fala disso. Seu autor é Matthieu Ricard, biólogo molecular que, aos 26 anos, deixou o ocidente para se tornar um monge budista, se dedicando ao cultivo de práticas contemplativas. Ricard escreveu, entre outras obras, esse grosso volume – 711 páginas, pesquisando o que a ciência já produziu sobre o altruísmo, acreditando ser este o caminho para um mundo melhor, tanto no âmbito individual quanto global. Mas se você preferir, veja o documentário homônimo, disponível num canal por assinatura, que traz o próprio Matthieu e muitos dos pesquisadores que ele cita. Imperdível!

Percebemos comportamentos altruístas até mesmo nos animais, indicando que essa característica é natural e não cultural. Num experimento do primatólogo Frans de Waal, por exemplo, foi dado a um chimpanzé uma caixa cheia de fichas verdes e vermelhas e ele devia entregar à tratadora uma ficha, de qualquer cor, recebendo um alimento como prêmio. Se ele entregasse a ficha vermelha somente ele recebia o alimento. Se entregasse a ficha verde, ele e também o chimpanzé no recinto vizinho recebiam a iguaria. O macaco deu preferência ao verde que beneficiava aos dois. Foi solidário.

Vamos adiante. Num outro estudo, conduzido por Michael Norton, da Harvard Business School, envelopes com 20 dólares foram dados a pessoas na rua. Cada envelope continha ainda a instrução para a pessoa gastar consigo mesma, ou gastar comprando algo para outros. Os voluntários foram filmados o tempo todo. Os que compraram algo para os outros manifestaram muito mais satisfação e alegria e também adquiriram objetos mais significativos. O mesmo efeito se produziu numa das nações mais pobres do mundo, Uganda. Mais um ponto para o altruísmo.

Os experimentos se sucedem e são muitos. Os resultados sempre apontando para os benefícios de uma postura altruísta. Como, então, ampliar, multiplicar esse traço tão positivo? Matthieu Ricard e pesquisadores como os neurocientistas Richard Davidson e Tania Singer, entre outros, têm uma sugestão baseada na experiência em laboratório: meditação. Treinamento do cérebro. E a boa notícia é que não precisa muito tempo para se ter um efeito. Pessoas que nunca haviam meditado, com práticas curtas, porém regulares, somando ao todo sete horas, já tiveram em seus cérebros maior atividade nas áreas relacionadas ao altruísmo, comprovaram Davidson e Singer, com resultados práticos em reduzir o estresse e aumentar o bem estar dos participantes.

Esse é o objetivo de Ricard e dos cientistas, propagar esse conhecimento. Para isso falam em eventos, como o fórum econômico de Davos, na ONU, em universidades, congressos, palestras para o público em geral e formadores de opinião. Eles falam de uma revolução na qual qualquer um pode se engajar e cuja expressão contagia o outro e deste o outro e assim por diante. Agora imagine isso multiplicado por mais de 7 bilhões de pessoas?! Em tempo, Matthieu Ricard destina todos os proventos obtidos com seus livros e conferências e a maior parte do seu tempo a 140 projetos humanitários.

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